quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Gluck - Orfeo e Euridice



Sabe o que fazer quando as idéias despencam sobre você, insistem em aflorar dos cantos, esquinas, teto, pisos, janelas, portas, rodapés, mãos, cabeça e pés, não sei... e isso que disse a tal pessoa....

Não sei o que fazer, essas idéias que parecem com um efeito de borbulhar a cabeça como se o cérebro fosse qualquer destas pastilhas efervescentes. Idéias sim existem, o problema e por onde começar a fazer...o começo.


As vezes me perguntam se e mais difícil o fim ou o começo, para mim o começo e o fim, afinal de contas, não sei por onde começar e muito difícil terminar.


Livros incompletos a estante por se tornarem cansativos, trabalhos repetitivos, pessoas iguais, por fim, rotina. Fujo dela como se foge de um cão sarnento morto de fome e que acha que você e a salvação da desnutrição do seu corpo.


Desafios, a sim, esses me fazem graça, acho que porque muito ouvi, será que não é melhor você fazer diferente, ou tente este que e mais fácil, não precisa se esforçar tanto... Belas palavras na construção complexa de um individuo perfeccionista e metódico, entretanto, um tanto quanto sentimental.


Ah, os sentimentos estes quando se misturam com as pastilhas transformam-se em um verdadeiro caos, não sei se porque as pastilhas se quadruplicam ou se porque os sentimentos embaralham mais ainda as pobres partilhas efervescentes que ainda tentavam se diferenciar por cor, por prioridade.


Mas os sentimentos não deixam que nada tenha prioridade, tudo deverá ser igual, o patamar é de todos, afinal os sentimentos são únicos, não há como amar e odiar, ficar triste e feliz, gostar e não gostar, sentir o doce e o azedo, sentir saudade e querer estar longe. Quem acha que pode sentir tudo isso junto, na realidade se engana através de uma túnica da própria infelicidade ou felicidade, a insegurança vai construindo os muros, as cúpulas, as resistências, as manchas, os machucados, em suma, as feridas que insistem em não fechar.


Ai como eu queria que essas pastilhas fechassem as minhas feridas... essas que ainda insistem em doer, trazer tristeza, raiva, insegurança enfim, confundem e me escondem através da túnica.

Mas algo além de tudo isso eu sei, eu estou fazendo cada dia que passa a minha parte e certa de que as barreiras serão quebradas, os muros caíram, as túnicas se rasgaram, a casca saiu, e a borboleta enfim será do casulo.

Voar alto, isso sim, nós devemos....